Do SEO ao GEO: a transição silenciosa


4 de Junho, 2025 /  Jonas / Estratégia

Estamos a viver uma mudança de paradigma: do SEO (Search Engine Optimization) para o GEO (Generative Engine Optimization). Já não basta otimizar para aparecer nos resultados de pesquisa – agora, é preciso “ensinar” os modelos de genAI a escolher uma marca como fonte.

Quadro de lousa, onde se pode ler GEO - Generative Engine Optimization, simbolizando a frase-chave de todo o artigo: Do SEO ao GEO.

A pesquisa mudou. A visibilidade digital também

Nos artigos anteriores, analisámos a forma como os hábitos de pesquisa estão a mudar e os riscos que surgem quando se troca o pensamento crítico pela conveniência de respostas automáticas geradas por genAI. Identificámos um novo cenário em que deixámos de validar e comparar informação que nos é apresentada, para passarmos a aceitar respostas únicas e imediatas, geradas por genAI, frequentemente erradas, mas apresentadas com autoridade.

Neste novo ecossistema, os motores de busca estão a transformar-se em motores de resposta. A inteligência artificial generativa está a redesenhar o acesso à informação e, com isso, a visibilidade das marcas. Já não basta aparecer: os modelos de genAI têm de escolher a nossa marca. Naturalmente, o que determina essa escolha não são apenas palavras-chave ou investimentos publicitários, é a forma os modelos de genAI compreendem e interpretam a marca.

É este o atual ponto de viragem: estamos a acelerar a fundo, do SEO rumo ao GEO.

Do SEO ao GEO: as novas regras do jogo

Esta nova realidade traz um desafio acrescido para as marcas, especialmente num cenário concorrencial. Durante anos bastou investir em anúncios, licitar as palavras relevantes e  assegurar a otimização para garantir lugar nos primeiros resultados da pesquisa. Nos modelos de genAI, esse lugar já não está à venda, pelo menos para já (enfim, é uma questão de tempo). A nossa visibilidade depende agora do algoritmo nos escolher – ou não, e as marcas precisam de estratégias claras para aumentar essa probabilidade.

A corrida à relevância: não basta estar, é preciso ser

As marcas que não se prepararem (já, ontem),  vão acabar a gritar “Pick me! Pick me!”, como o burro do Shrek, não por entusiasmo, mas por puro desnorte. Agora que tinham finalmente começado a entender as regras do jogo – muitas só há pouco descobriram o SEO – de repente o jogo mudou apanhou-as na curva.

Agora, as regras são outras, o terreno é mais complexo e, para muitas, é como se tudo recomeçasse do zero. Vão ter de reaprender (ou aprender) a importância do posicionamento, da genuinidade, da transparência, da missão e dos valores e, sobretudo, a manter a capacidade de chegar até quem as procura.

Plataformas como o Google já estão a integrar respostas geradas por genAI nos resultados, e isso muda as regras do jogo. Se uma marca não estiver presente nos dados que alimentam estes modelos, simplesmente desaparece dos resultados, tornando-se praticamente invisível, mais difícil de encontrar do que uma agulha num palheiro.

Imagem de uma agulha num palheiro, identificando a dificuldade que muitas marcas terão em ser encontradas, agora que estamos em transição do SEO para o GEO.

Como manter a relevância num mundo de respostas automáticas

Se quer que encontrem a sua marca, precisa de trabalhar a autoridade, a relevância. Claro que isso passa, em primeiro lugar, por ter uma estratégia digital que inclua este tipo de preocupações. Naturalmente, cada marca tem diferentes objetivos, estratégias e budgets, mas este posicionamento implicará a produção de conteúdos originais, assinados, com dados próprios e bem referenciados, curiosamente, conteúdos que não tenham sido produzidos por genAI.

Adotar estruturação de dados que ajude os motores a interpretar corretamente a informação. Da mesma forma que muito do que se foi aprendendo sobre SEO foi por tentativa e erro, com a GEO o caminho será semelhante, apenas muito mais rápido.

Mais inteligência na presença digital

Estar presente onde ainda há pesquisa real, curiosidade, espírito crítico e conversa. Assumir que está a acabar o tempo em que se chegava à maioria das pessoas através de poucos canais. Perceber que é preciso ser mais inteligente na escolha dos sítios onde estar, e de que é preciso estar melhor, em mais sítios. Deixar de investir no “one size fits all”. Nunca foi verdade, cada vez é menos. No entanto, muitas marcas continuam a publicar no YouTube spots publicitários pensados para televisão, ou a replicar no Facebook exatamente o mesmo conteúdo que partilharam no Instagram. Tiro no pé. Meios diferentes exigem abordagens diferentes, ajustadas ao público, ao momento, ao segmento e ao contexto.

Conclusão: SEO indexava, GEO exige reconhecimento

O futuro da visibilidade digital não passa apenas por estarmos indexados, passa por ser sermos interpretados corretamente pela inteligência artificial. Isso significa ir além da simples presença nos motores de busca: é preciso garantir que os sistemas compreendem, valorizam e referenciam o conteúdo da nossa marca.

E, mais do que isso, significa não depender exclusivamente da pesquisa, mas saber estar, e aparecer, onde os potenciais clientes já estão. Ou, melhor ainda, criar espaços onde esses potenciais clientes queiram estar.
Num cenário cada vez mais dominado pela genAI, essa capacidade de sabermos onde e como estar é, cada vez mais, a diferença entre continuarmos a ser encontrados… ou condenados a desaparecer.

Este é o terceiro artigo de uma série dedicada ao impacto da inteligência artificial generativa na forma como a informação, os conteúdos e as marcas chegam às pessoas.


Se ainda não leu os artigos anteriores, estão aqui:
A pesquisa mudou. Mas as marcas ainda não
A pesquisa mudou. E a sua estratégia?

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Leia também:

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